O porquê do longo prazo

Sempre iniciamos nossas análises pelo maior prazo possível, e consideramos isso essencial, mesmo para operações de curto prazo. O texto abaixo explica e detalha essa característica da nossa análise técnica.

Quando falamos sobre saber o contexto em análise técnica, estamos nos referindo a saber aonde estamos em termos gráficos: no início de uma tendência? No final? O mercado está em tendência? Estamos em uma região onde há muitos compradores? Muitos vendedores?

A Análise Técnica nos ajuda muito a responder a essas perguntas, mas essas respostas serão tão mais precisas e completas quanto maior for o prazo no qual olhamos nossos gráficos. Antes de investigarmos a árvore, precisamos ter uma noção da floresta. E antes de sabermos o nome da rua de um determinado endereço, é importante sabermos o país e a cidade em que ele está localizado. Da mesma forma, consideramos que em análise técnica é importante olharmos os gráficos primeiro de longe, e entendermos o contexto de longo prazo em que estamos, para apenas então "darmos zoom" e vermos o que está acontecendo em um prazo mais curto. 

Constantemente, os gráficos de longo prazo nos dão informações importantíssimas, que jamais obteríamos se olhássemos apenas o curto prazo. E essas informações podem fazer diferença para qualquer operador, esteja ele atrás de tendências de curto, médio ou longo prazo.

Constantemente observamos exemplos em que a análise de longo prazo faz toda a diferença, o que apenas vem a confirmar o valor que damos para se iniciar a análise dos gráficos sempre no maior prazo possível. Separamos abaixo um desses exemplos para tornar tudo isso mais claro.


S&P500 e a Crise do Sub-Prime

A imagem abaixo mostra um gráfico de curto prazo do SP500. O analista que o estivesse vendo, em julho de 2007, provavelmente teria lido o rompimento do nível de 1540 como um sinal de continuidade da tendência de alta de médio prazo, e portanto uma indicação de compra.

SP500

No entanto, os analistas que estivessem olhando esse gráfico em um prazo maior teriam consciência de que, embora tivessem rompido os 1540, os preços ainda estavam abaixo, porém muito próximos, de uma resistência importantíssima: os 1555 pontos do topo de 2000, o "topo da bolha da Nasdaq", após o qual o SP500 caiu cerca de 50%, conforme mostra o gráfico abaixo:

SP500

Observando isso, provavelmente considerariam que esse não era um contexto favorável a posições de compra e estariam cientes da alta probabilidade de os preços caírem muito. De fato, como sabemos hoje, naquele momento os mercados estavam na beira de um precipício. Conforme mostra o gráfico abaixo, assim que o SP500 tocou o nível de 1555, os preços começaram a cair drasticamente e iniciou-se o que passou-se a chamar de "crise do subprime".

SP500

Esse exemplo mostra o tipo de indicação indispensável que o gráfico de longo prazo nos dá. Naquele momento, saber que os preços estavam prestes a tocar uma resistência tão importante teria sido extremamente útil para qualquer trader, independentemente do prazo em que operasse. Essa informação poderia ser conseguida com um simples olhar no gráfico de longo prazo. No entanto, jamais poderia ser extraída de um gráfico de curto prazo.

Esse é um dos inúmeros exemplos que, para nós, mostra ser indispensável para qualquer participante do mercado ter uma noção do contexto de longo prazo em que os preços se encontram. E é por isso que, na ComStop, sempre iniciamos nossa análise dos gráficos no maior prazo possível, para, aí sim, nos aproximarmos e analizarmos prazos mais curtos.